Em razão do silêncio tumular das Ongs ambientais em Cuiabá, a Ong Moral, juntamente com Instituto de Defesa do Consumidor (IDC), passou a atuar contra algumas agressões ao meio ambiente na Capital.
Dois casos nos chamaram atenção pela gravidade das agressões e pelo descaso e até participação de órgãos públicos. Um, é o escândalo da construção da loja maçônica Grande Oriente de Mato Grosso, localizada na Av. do CPA em frente ao parque Massairo Okamura e o outro é o residencial "Bonavita", localizado na rotatória da avenida que vai do Shopping Pantanal ao Bairro Bela Vista.
No caso da loja maçônica, a denúncia envolve a destruição da vegetação nativa e aterro da cabeceiras do córrego do Barbado. As demais irregularidades vão desde a nebulosa doação pelo Estado de área do seu patrimônio para interesses privados (em local que só poderiam instalar-se entes públicos), até denúncias de desvio de materiais de construção civil da obra do Fórum de Cuiabá e destinação de verba do orçamento do Estado para a construção daquele templo maçom.
Este caso, além de denúncia no Conselho Nacional de Justiça, há uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado. Mas, a sociedade precisa ficar vigilante, tudo pode ficar parado nos escaninhos da tolerância devido a interferência de algumas autoridades judiciárias, "irmãos" de loja, pois os denunciados são "gente grande".
Já a construção do residencial Bonavita, é uma história complicada. A começar pela área onde se está instalando o empreendimento. Isso porque o parque Massairo Okamura tem a mesma localização da Reserva Ecológica do CPA (Lei nº2.683/89), que vai da Av. do CPA, entra na Av. Juliano da Costa Marques (Receita Federal), contorna o bairro Morada do Ouro até o bairro Morada da Serra, na Rua Alenquer. Tendo este perímetro são áreas de preservação permanente (APPs). Ou seja, intocáveis.
Ocorre que, por irresponsabilidade de administradores públicos estaduais, por conveniência política, permitiram, dentro desta mata de reserva ambiental a construção da Associação dos Municípios, de um grande templo, da sede estadual do Ministério da Fazenda, de uma associação de servidores, do campus Bela Vista da CEFET e do recreativo SESIPARK.
De repente, dentro desta reserva ambiental, começaram a subir espigões. É uma área supervalorizada devido à proximidade com o Shopping Pantanal. Aí surgem denúncias de que aquela área teria sido "privatizada" de forma ilegal e que sendo de preservação permanente não poderia ser tocada, gerando inclusive uma Ação Popular que poderá atingir a todos os compradores dos imóveis.
Então, na questão do Bonavita, que destruiu a APP e o leito natural de um córrego afluente do Barbado, a prefeitura conseguiu paralisar a obra, mas um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, recolocou a obra em andamento. Ignoraram que além de baixar a umidade relativa do ar, este tipo de obra suja a via pública, o que pode provocar acidentes de carro, comprovando a necessidade de estudo de impacto de vizinhança (RIU-Lei Complementar nº044/97, e EIV/RIV Lei Complementar nº 150/07).
O IDC e a Ong MORAL contestaram o TAC e o processo subiu para o Conselho Superior do Ministério Público.
Fui assistir ao julgamento. O Conselho, naquele momento composto por cerca de sete ou oito procuradores e uma procuradora, fez ouvidos de mercador ao apelo das entidades sociais. Parece que entendem que o interesse de poucos e de uma empresa capitalista, tem mais valor que a saúde de todos nós cuiabanos.
Nada contra os procuradores. A maioria eu conheço. Sei que são pessoas de bem e que pensam estar agindo em nome do progresso. O problema é que este Conselho mostrou ter pouca sensibilidade social. São todos da elite, vencedores, com salários acima de 20 mil reais, quem sabe sonhando em comprar uma unidade no novo empreendimento. É um local privilegiado, a família destes pequenos burgueses vai adorar.
Mas e a sociedade em geral? A maioria dos que ganham menos de três salários mínimos e superlotam pronto socorros por doenças provocadas pela baixa umidade do ar, pois não podem comprar inaladores para as crianças e os idosos, nem os famosos umidificadores de ar que estão nos gabinetes das autoridades.
Essa gente que não pode morar no Bonavita e nem tem ar condicionado em casa. Esses que nas noites horríveis de calor e pernilongos, abanam o sono suado de filhos doentes e de velhos sofridos que vivem à margem dos bens da sociedade de consumo.
O que dirá para eles o Dr. Paulo Prado, quando for para os arrabaldes pedir votos para o Senado?



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